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   R. dos Condes, 2-20

A Capital, 25/6/02




Edifício do Odeon não escapa à degradação

Projecto quer recuperar sala “mítica” de cinema em Lisboa




Reportagem de A CAPITAL sobre o Cinema Odeon (Publicada a 25 de Junho de 2002)
Texto: Bruno Silva



De portas fechadas há quatro anos, o cinema Odeon, uma das salas míticas da cidade de Lisboa, continua a degradar-se enquanto não surgem notícias da tão desejada recuperação daquele espaço.

Na mesma porta onde outrora “ as senhoras entravam com toda a pompa com os seus visons” para ir ver os filmes da moda, dorme hoje, o Manuel, um jovem sem-abrigo, alheio à história que aquele edifício – com 80 anos de idade, situado na esquina da Rua das Portas de Santo Antão -, encerra.

No exterior, quem passa pelo local, dificilmente consegue ignorar a imponente varanda em ferro repleta de vidros coloridos, alguns deles já partidos. Mas é lá dentro que se percebe a imponência deste edifício em vias de ser classificado pelo IPPAR como imóvel de interesse público. Os sinais da lenta degradação são visíveis. Há pedaços de caliça pelo chão e pó por todo o lado. As infiltrações da água da chuva que entra pela cobertura em mau estado de conservação também começam a deixar as suas marcas. Mas visitar o Odeon é como fazer uma viagem ao passado. A sala mantêm-se quase inalterada. Na plateia as cadeiras e a alcatifa vermelha continuam intactas e a tela corrida pronta a receber a exibição de mais um filme. Subindo aos balcões, no bar ainda se podem ver alguns copos e garrafas que ali ficaram abandonados e os camarotes mantêm a opulência do passado, enquanto na sala de projecção as máquinas, apesar de antigas, estão prontas a funcionar.

“O Odeon é muito bonito”, desabafa Artur Martins, antigo proteccionista daquele mítico cinema de Lisboa durante oito anos, finda a visita ao interior do edifício. Ele, mais do que ninguém, sonha com a recuperação daquele espaço. “O Odeon tem uma história muito e um vasto currículo a nível de espectáculos. Tive aqui muitas noites de glória com espectáculos de gala”, recorda Artur Martins, apelando: “Não façam ao Odeon e ao Condes o mesmo crime que cometeram no Éden”. Encerrada desde 1997, esta sala de espectáculos da capital, foi posta à venda pela Parisiana – sociedade por cotas fundadora e proprietária do Odeon. “Os vários sócios decidiram vender as suas cotas porque não têm projecto para o Odeon continuar a funcionar tal como foi formado em 1927”, disse A Capital Jean Charles Baudoin, que adianta ainda que o encerramento do edifício se trata “de uma política dos sócios para vender a sociedade”.

Cerca de 2500 milhões de euros (cerca de 500 mil contos) é quanto os proprietários pedem pela venda do imóvel que parece ter despertado bastante interesse. “Fomos contactados por vários grupos que estão interessados na aquisição”, diz Baudoin, confirmando que entre os interessados se encontra o encenador Filipe La Féria.

Esperando um desfecho em breve, os responsáveis da Parisiana defendem para o futuro do Odeon um “projecto de qualidade e economicamente viável”, que valoriza aquela zona da baixa lisboeta.

Fonte do gabinete da vereadora Maria Manuel Pinto Barbosa, responsável pelo pelouro da Cultura da Câmara de Lisboa, sem querer avançar mais pormenores, referiu que a autarquia vê aquele imóvel com “muito interesse” e que o processo “está em estudo”.




Projecto quer um “Novo Odeon”



Para além do encenador Filipe La Féria, há outros interessados na recuperação daquele antigo cinema lisboeta. “Novo Odeon” é o nome de um projecto já apresentado à autarquia, que prevê a recuperação daquela sala mantendo a traça original, reabrindo as portas do Odeon à exibição de cinema alternativo, criando simultaneamente um espaço para acolher outros eventos culturais. A proposta apresentada à câmara prevê que seja a própria autarquia a adquirir o antigo cinema e custear as obras de restauro, cedendo depois a exploração do espaço ao projecto “Novo Odeon”.

“Queremos aproveitar o Odeon tal como ele é sem avançar para obras megalómanas. É a melhor sala que temos em Lisboa e para além disso tem um vasto historial. Aquilo ir abaixo é um crime”, defende Paulo Ferrero, um dos elementos do projecto.

Até agora, a proposta continua sem resposta por parte da autarquia. “Se a câmara não quiser entrar como parceiro teremos de recorrer à banca para conseguir um empréstimo para comparar o Odeon”, remata.